Um pequeno deslocamento do eixo terrestre, descoberto
há algumas décadas, está ligado não só ao fim da Era do Gelo, mas também
ao movimento de lava e à redistribuição da massa de água nos oceanos,
concluem geólogos da NASA em um artigo publicado na revista Earth and
Planetary Science Letters.
"Acreditava-se tradicionalmente que somente o fim da
Era do Gelo seria o principal motivo dos recentes deslocamentos do eixo
da Terra. Elaboramos um modelo digital do processo e revelamos que
existe não só um, mas três fatos", contou Surendra Adhikari, do
Laboratório de Propulsão a Jato.
Em comparação com outros planetas do Sistema Solar, a
Terra possui um eixo relativamente estável. Graças à interação
gravitacional do nosso planeta com a Lua, nos últimos bilhões de anos a
posição do eixo não sofreu mudanças drásticas, enquanto os eixos de
Marte e Urano, por exemplo, realocaram-se em dezenas de graus.
No entanto, dados científicos mostram que o eixo
terrestre está se deslocando, pouco a pouco, mas se deslocando a um
pouco mais de 10 cm/ano em direção ao 74º de longitude oeste. Sendo
assim, grande parte dos pesquisadores passou a acreditar que o fim da
Era do Gelo não seria o bastante para causar alteração.
Na verificação de outras hipóteses, Adhikari e seus
colegas criaram um modelo especial digital para monitorar processos na
litosfera e hidrosfera que poderiam interferir no eixo terrestre. Como
resultado, eles descobriram que a atividade subterrânea afeta mais
significativamente a posição do eixo do que a Era do Gelo um dia afetou.
Os cientistas indicam que a pressão e localização da
camada de gelo, a atividade sísmica, o movimento de lava e a
redistribuição de água nos oceanos e em outros reservatórios interferem
no eixo terrestre. Portanto, vale a pena analisar o conjunto de fatores
para fazer previsões climáticas e avaliar passíveis consequências do
aquecimento global.
